Vivenciando uma reviravolta louca na industria editorial desde 2011, estou em contato com editores pequenos, médios e grandes desafiados pelo universo digital, sedentos por soluções que os coloquem num lugar adequado.
Na web? Não, nos dispositivos mobile.
Eu trabalhei num grande grupo de notícias, e também num título segmentado com circulação honesta; nunca tive dúvidas do quanto a mudança estava ali diariamente, mas só me dei conta hoje como esse ritmo é mais lento perto do que eu sinto na pele atualmente ; módicos 40 km/h impostos pelo crescimento da web, onde famílias iam aos poucos comprando seus PCs, e seus notes e netbooks, com mais apetite pelos pacotes de banda-larga contra uns 200km/h da cultura da ubiquidade. Uma coisa levou a outra, claro, e uma coisa é mais frenética que a outra também.
Se tratando de conteúdo impresso, o fato é que muitos editores que ainda não conseguiram estruturar bem seu site ou fanpage (quando tem um) já publicam em apps para tablets – que de forma simplista, representa aumento de tiragem sem impressão.
Com o lançamento dos e-readers e sobretudo do Ipad, seguido de tablets diversos, smartphones e agora os phablets – o ornitorrinco de voz e dados – a mudança começou num trote e agora está galopante destino…Destino, não se sabe ao certo.
Oque se sabe é que o mercado de touch media – eu prefiro chamar assim do que de mobile – tem infringido delícias e terrores nos EUA e Inglaterra. Alguns grupos exterminando seu impresso, enxugando suas redações, outros se jogando no digital, outros caindo, outros ressurgindo, novos modelos de assinaturas, novos modelos de curadoria de conteúdo. Isso representa uma bola-de-cristal para nosso cenário, aos olhos de quem quiser enxergar sem necessidades mediúnicas. E oque aqui cito é apenas um segmento dentre tantos – o editorial – que conheço bem.
Estou com muita gente (mais do que eu desejaria) no círculo de publicidade e mídia que não faz idéia do que eu estou falando. Ok, estou numa posição privilegiada dentro do furacão, e por isso vou me expressar de forma didática.
Uma única coisa eu posso afirmar, respirando tablet media há quase 2 anos: Mobile não é web. Mobile é mais, muito mais. A web é um dos serviços que atende essa nação de usuários num pandemônio de puro entretenimento e utilidade na ponta dos dedos. Esse inédito agregador de comportamento (seja ele Android ou IOS) usa conexão, acessa web e também pode entregar utilitários nativos mesmo offline. Nele você pode ver TV, filmes, fofocar em privado, fofocar publicamente, fotografar, pesquisar, digitalizar, enviar, receber, comprar, vender, ou simplesmente ler, e nem sempre a web é composição máxima da sua usabilidade.
Logo virão os tablets turbinados com processamento e memória parrudos, serão mais portáteis e maleáveis, vão falar com sua smartv, vão estar na porta da sua geladeira e no console do seu automóvel, e depois serão apenas os seus óculos, simplesmente operando com todos os seus sentidos, mas serão ainda os representantes da tal ubiquidade empurrando o limite de velocidade da inovação em comportamento.
Daniela Mozer
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